Método SiaaE · lado do professor
O relatório da turma, com a Prof. Tunica.
No dia seguinte à prova, o relatório de coordenação deveria estar no bolso do seu jaleco. Ele não diz se algo está “certo” ou “errado”: mostra onde sua turma está dentro da rede e o que ajustar.
Acertos sozinhos deixam dúvidas.
Esta é a Tunica, professora de matemática. Neste bimestre ela criou uma técnica nova para ensinar equações, e caíram três questões sobre o assunto. Veja o acerto da turma:
A média absoluta é importante e tem o seu lugar, mas não basta para mudar a estratégia de aula. Está faltando alguma coisa…
Uma “super turma” como segunda régua.
Depois da correção, ordenamos os alunos pelo total de pontos da prova e separamos os 20% melhores. Eles formam uma “super turma”, com uma segunda média de referência.
A discriminação mostra a capacidade de uma questão separar os melhores alunos do total. Questões assim são muito desejadas em provas tipo concurso.
Laboratório da questão
Ajuste o acerto da turma e dos 20% melhores. O SiaaE diagnostica.
Agora a dúvida da Tunica se resolve.

Q15 · 60% / 85% · δ 25%
Questão normal, com certo grau de dificuldade: 40% da turma errou e até 15% dos melhores. Merece alguns minutos de comentário em sala.

Q16 · 30% / 68% · δ 38%
Discriminação elevada: questão coerente, porém difícil. Não depõe contra a estratégia da aula; tem sua complexidade natural.

Q17 · 90% / 95% · δ 5%
Acerto alto não deixa espaço para discriminar. Foi para verificar o conteúdo ou é do tipo “de que cor é o cavalo branco de Napoleão”? A Tunica percebe a diferença.
Quando os números “estranham”.

Q32 · 95% / 92% · δ −3%
Os melhores foram pior que a turma. Típico da questão resolvida em sala antes da prova, muito bem explicada: a distorção da discriminação. Vale buscar estratégias menos óbvias.

Gabarito errado · 19% / 5% · δ −14%
Acerto dentro do “chute” (± 20%) e os melhores evitaram a alternativa do gabarito. Caso famoso: resolvido pela equipe de correção antes da divulgação oficial.

Q65 · 10% / 15% · δ 5%
Dificílima: discriminação positiva, mas ainda problemática. Pode somar conteúdo não trabalhado, estratégia ou turma pequena.
Atenção ao tamanho da turma: para uma análise confiável, o ideal é ter pelo menos 100 alunos (20 deles nos 20% melhores). Turma pequena? Consulte o relatório mais abrangente, da escola toda, e use os ábacos.
Cada escola vira um “aluno” no ranking.
Lembra do ranking do boletim? No ábaco, fazemos o ranking de todas as escolas que aplicaram o mesmo tipo de prova: média geral, matérias, setores e cada questão.
Q15: ótima classificação; a turma da Tunica está entre as 70% melhores.
Q16: bom ranking, mas o menor dela. Os melhores foram bem (68%), a maioria não: hora de “tirar um pouco o pé do acelerador” e reforçar exercícios básicos.
Q17: fácil para todos, e ainda assim o maior ranking dela, 78%. Trabalho bem feito em sala.
Por que acontece? Professores com muita empatia e conteúdo tendem a apertar o nível da aula. O ábaco alerta e orienta a voltar para a média, o que garante o máximo de rendimento para a turma.
Não precisa ser matemático.
Se a terminologia assusta, siga só as formas. As posições das barras contam tudo:
Barras curtas: os alunos acertaram pouco.
Barras longas: os alunos acertaram bastante.
Fina passa a larga: os melhores foram melhor que a turma. Normal.
Fina fica atrás: os melhores foram pior que a turma! Investigue.
Não pretenda entender tudo de uma vez. A calibragem de uma aula está num detalhe: um exercício extra, um desenho, uma analogia. Guarde os resultados, compare com as próximas turmas e veja seu ranking melhorar.
Prof. Anselmo Pisco30 anos de sala de aula · criador do método SiaaE
Quer explicar o boletim para os alunos? Mostre a eles o lado do Pedrinho.
Boletim do alunoPrefere a apresentação completa em slides? Abrir a versão original do relatório de coordenação